Desde o Fórum dos Povos pela Água (People’s Water Forum) tornámos pública uma declaração crítica diante da nomeação da Enviada Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Água.
Nesta declaração expressamos a nossa preocupação, partilhada por movimentos sociais, comunidades e organizações de todo o mundo, com o impacto que esta nomeação pode ter na governança global da água e na proteção efetiva do direito humano à água e ao saneamento. Colocamos questões-chave sobre o mandato, a independência e os mecanismos de prestação de contas da nova Enviada Especial, Retno L. P. Marsudi.
Denunciamos também os incidentes que afetaram defensoras e defensores da água durante o 10.º Fórum Mundial da Água, realizado em Bali em maio de 2024, e enquadramos estes factos num contexto mais amplo de redução do espaço cívico e de criminalização da defesa da água.
Reafirmamos que a água e o saneamento são direitos humanos fundamentais e bens comuns, e alertamos para o risco de que os processos internacionais de governança da água se afastem de uma abordagem baseada nos direitos humanos, em favor de modelos multiactor que não garantem a centralidade das pessoas titulares de direitos.
Enviámos esta declaração ao Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, bem como a diversas agências das Nações Unidas e instituições internacionais ligadas à governança da água.
Este posicionamento adquire especial relevância no contexto da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre a Água, que se realizará nos Emirados Árabes Unidos, de 2 a 4 de dezembro de 2026.
Neste momento-chave, insistimos na necessidade de colocar no centro as vozes das comunidades afetadas, bem como a transparência e a prestação de contas.

